quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa..."

Nos dias atuais, todos sabemos o quanto é difícil aliar vida profissional com boa alimentação. Com a falta de tempo cada vez mais latente na população economicamente ativa, é raro ver alguém sentar-se e degustar com paciência um bom prato.
Isso está visível não mais somente nas grandes metrópoles, mas em qualquer grande centro urbano existente no nosso país.
Contrastando com a bela letra da música "Conversa de Botequim", de Noel Rosa, que intitula este post, a pressa aqui é a mais vil inimiga da perfeição.
Quando mastigamos iniciamos o processo digestivo. Na boca, os
alimentos sólidos são transformados em partículas menores e se
misturam com a saliva, secreção que contém uma enzima responsável pela digestão do amido.
Se comemos com pressa e sem mastigar corretamente, os alimentos
não são bem triturados e os pedaços grandes que chegam ao estômago aumentam o trabalho deste órgão. O resultado é uma digestão inadequada, azia, fermentações e gases.
Recomenda-se, no mínimo, uma quantidade de mastigação em torno de 32 vezes por porção (os macrobióticos chegam a aconselhar 150 vezes) para que o alimento seja bem triturado e digerido.
Um outro fator imprescindível é o consumo de fibras alimentares.
Uma dieta equilibrada e com adequada concentração dessas fibras faz com que a quantidade de mastigação e salivação aumentem, proporcionando uma digestão mais perfeita.
Encontramos as fibras em boa quantidade nos seguintes alimentos:
Frutas: maçã, abacaxi, pêra, manga, melão, uva, ameixa, papaia, laranja; coma sempre a casca e o bagaço, quando possível.
Legumes e verduras: couve, brócolis, vagem, espinafre, alface, escarola, repolho, quiabo, berinjela, beterraba, chuchu, couve-flor, cenoura, batata, tomate, cebola
Cereais: grão-de-bico, feijões, lentilha, soja, farelo de trigo integral, aveia, sementes de linhaça e girassol, milho verde, ervilha e arroz integral.
A boa mastigação e o consumo de fibras, aliados à ingestão de bastante água durante o dia tornará seu corpo mais resistente e o seu organismo funcionará bem melhor.
Tente comer sem pressa mas, se o seu trabalho não permite mais tempo para cuidar de você... É melhor pensar em procurar outro emprego!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A páscoa do bacalhau

   O comércio de determinados tipos de produtos sempre encontra no calendário uma data para se esbaldar e esvaziar seu estoque.
   No natal, roupas e brinquedos somem das prateleiras e perus e afins quase entram para a lista dos animais em extinção. No dia das crianças, brinquedos também são os produtos mais procurados. No dia dos namorados é a vez das floriculturas e o dia das mães é como uma mãe para as lojas de eletrodomésticos.
   Mas e na páscoa?
   Quem respondeu que o produto mais vendido é o chocolate também acertou. Isso porque o bacalhau também tem a sua fatia do bolo.
   Só que...Você sabe escolher e comprar bacalhau?
   Para não comprar gato por lebre, lembre-se sempre de ler com atenção a etiqueta, não só para ver o preço, que em geral é bem salgado, mas também para ver as outras informações do produto.
   Muita gente compra tipos de peixe semelhantes ao bacalhau como se o fosse mesmo. Portanto, procure estabelecimentos que tenham o compromisso de informar detalhes do produto.
   Se você encontrar na etiqueta um determinado nome de peixe e a terminação "tipo bacalhau", deverá saber que não é propriamente o peixe das águas portuguesas. O verdadeiro bacalhau é o Gadus morhua, sua coloração é amarelada e a pele solta com facilidade. Além disso, deverá conter as três barbatanas características e o rabo em forma de leque.
   Não veja apenas pelo lado econômico, mas se você é apreciador da boa mesa, um bom bacalhau sempre é bem vindo.

Feliz páscoa!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Somos o que comemos?

   Se somos o que comemos, então somos bois, galinhas, faisões, lindos coelhinhos. Ainda mais: somos repolhos, agriões, cenouras e rúculas precoces.
   Claro, a afirmação acima é uma metáfora e nós não nos tornamos o que comemos. Mas o que faz parte do nosso cardápio no dia-a-dia diz muito sobre a personalidade e características de cada um.
   O cara grande do apartamento ao lado provavelmente não é adepto de dietas e adora um churrasco regado a muita cerveja. A mocinha magrela e meiga da padaria não deve comer um pãozinho de queijo sequer dos que ela despacha diariamente. O bombado ali? Bom, esse não consegue viver sem seus suplementos vitamínicos.
   Dizem que os veganos são dóceis porque não tem a voracidade do carnívoro selvagem. Já os carnívoros são mais ávidos e inquietos, características de quem quer sempre mais.
   Regras e exceções à parte, o que vale discussão não é o que nem como comer, mas a qualidade do que se come.
   Não cabe a mim julgar o carnívoro como um assassino, nem o vegano como um louco. Cada um tem o direito e a necessidade fisiológica de satisfazer os clamores do seu organismo com o que lhe faz feliz não esquecendo, porém, de que comer bem não é comer muito, mas comer com parcimônia e bom senso na hora de escolher a sua próxima refeição.
   Este blog vem para informar e dar dicas sobre nutrição, qualidade dos alimentos, formas de preparo e de escolha dos insumos, sem depreciar nem evidenciar nenhuma cultura, afinal, somos seres onívoros e o nosso cardápio é infinito!


Bon appetit!